Sunday, March 25, 2007

Fim de Semana (3) San Sebastian

1. A Viagem

Para quem viaja do Porto:

De carro, 770km quase sempre em auto-estrada, 6 a 8 horas de viagem.
Quem preferir o avião, terá de voar por Lisboa ou Madrid. Na Portugália por 200€.

Para quem viaja de Lisboa:

Na Portugália partida 26/7 às 14.25 com chegada a Bilbao às 17.15h. Regresso a 30/7 às 7h30m com chegada a Lisboa às 8h25m em direcção ao trabalho. Na Portugália por 130€.

2. O Carro

Na Alamo, um Citroen Xsara por 195€ ou um Citroen C5 por 315€.Aqui, aluga-se um Ford Mondeo por 230€ e um Mercedes C200 por 320€.

3. O Hotel

A oferta em San Sebastian não é deslumbrante. O único 5* é o clássico Maria Cristina (€405). Há hotéis de charme, como o Villa Soro (€210), e há hotéis simpáticos como o Silken Amara Plaza (€140). Mas a minha escolha seria o Parador de Hondarribia (€160), a 20km de San Sebastian, perto da fronteira de Irun.

Parador histórico, castelo do séc. X, no estuário do Bidasoa, mantém o aspecto de fortaleza ,

embora aparência defensiva das grossas paredes oculte um interior magnífico,
com uma decoração elegante que lhe preserva a autenticidade.



Com vistas para o golfo da Biscaya, do terraço esplêndido ou de alguns quartos, tem recantos encantadores, lanças, canhões, armaduras, arcos, ferro forjado e tectos trabalhados que envolvem os hóspedes numa atmosfera de contos de princesas.Muitas actividades esperam os hóspedes. Passeios a cavalo, golfe , montanhismo, bicicleta, parapente, rotas 4x4, e como estamos junto ao mar mergulho, vela, surf, kayak ou pesca.

4. As visitas

Dê um passeio ao longo da costa e perca-se nas aldeias piscatórias. Percorra a estrada para Jaizkibel e as vistas para a foz do Bidasoa. Se quiser passar a fronteira vá tomar café ao "Miremont" em Biarritz e faça uma promenade na marginal.E claro, com Bilbao ali ao lado é obrigatória a visita ao Guggenheim. Decorrem exposições de Anselm Kiefer e Albrecht Durer.

No caminho até Bilbao visite Elantxobe e descubra Gernika. De volta a San Sebastian, vá até ao centro histórico e compre uma genuína boina na Casa Ponsol. No Museu San Telmo, antigo convento, admire os claustros e visite a colecção de pintura. Faça o circuito do Monte Igueldo ao Monte Urgull e deleite-se com a baía , o porto, a ilha de Santa Clara e a cidade a seus pés. Pode visitar o Oceanário, que tem um corredor sob a água que permite uma visão de 360º do aquário, por entre raias e tubarões. Não deixe de molhar os pés em solo basco, na Playa de la Concha. No Museu Chilida Leku, passeie entre as esculturas de Eduardo Chilida.

Ao fim da tarde vá até ao Bairro Antigo e comece o txikiteo, ritual em busca de pintxos gourmet (versão basca das tapas) . No Bar Ganbara prove os cogumelos e no Borda's Berri as anchovas salteadas com txacoli.

5. Concertos

O Jazzaldia , Festival de Jazz de San Sebastian (24 a 29 de Julho) é um dos grandes festivais de jazz do mundo, sendo muito mais abrangente, do blues ao flamenco, com lugar para o soul e a world music. Em 2006 estiveram lá Keith Jarret, Herbie Hancock, Caetano Veloso, Ralph Towner, McCoy Tyner. Solomon Burke, Bill Wyman, Chano Dominguez.

Para 2007estão programados Cassandra Wilson, Van Morrison, Benny Wallace, Herbie Hancock , Chucho Valdés e
Brad Mehldau.

6. As Catedrais

É por elas que cá vimos. San Sebastian é umas das capitais gourmet do Mundo.

O Arzak e o Akelarre são sobejamente conhecidos, referências da grande gastronomia, visitas obrigatórias para qualquer gourmet que visita o País Basco.
O Arzak é uma instituição, foi o primeiro a ser galardoado com 3* Michelin, em 1989. Hoje é a filha Elena que comanda a cozinha.


O Akelare também com 3*, sob a direcção de Pedro Subijana tem menus de degustação sublimes.
Deixo aqui outras propostas.


Martin Berasategui
Genial e virtuoso, é um dos grandes chefs do momento.

3* Michelin, projecta sabores imaculados com perfeccionismo e sofisticação. Na sua cozinha abundam as ervas e os molhos, vegetais e infusões. Exemplos da sua arte são o "taco de foie gras com raifort, couve flor e infusão de uva tinta",
a "salada gelatinosa de pombo com vinagreta de remollacha e trufa", o " cabrito assado com seu rim",

a "ostra com clorofila de berro, rúcola e maçã", a "salada morna de tuétanos de verdura com lavagante, berbigão navalhas e creme de alface",

a "homenagem ao porco ibérico"

e a "amêndoa torrada em pastel morno com sorvete de mel".

Em Julho recomenda-se a opção pelas mesas ao ar livre.

Mugaritz
Em basco mugaritz quer dizer "algo que demarca". É esse sentido geográfio do território que o chef Andoni Aduriz consegue vincar tão bem , da mesma maneira que um grande vinho exprime seu terroir. Aos 33 anos, o chef do restaurante Mugaritz, em Errenteria, exibe não por acaso, como a marca de seu restaurante, um carvalho entre duas fronteiras: a da vanguarda catalã, liderada pelo chef Ferran Adrià, com quem trabalhou durante vários anos, no El Bulli, e a paixão pela comida que rege a sociedade basca. O crítico do jornal americano The New York Times, Arthur Lublow, chamou-lhe "o cozinheiro mais harmonioso do mundo".

Restaurante simples mas elegante, confortável, com tectos altos e bom espaço entre as mesas. Apenas serve menus de degustação: Menu Sustriak a 77.15€ e Menu Naturan a 99.50€. Ambos os menus englobam cinco pratos mais amuse-bouche e sobremesa.

Um dos pontos altos do menu-degustação do Mugaritz é a "ortiguilla de mar en fondo alimonado" anémona, como essas que enfeitam aquário, achatada e nada convidativa, bege sobre um caldo translúcido. Colocada na boca, é o mar inteiro que parece ser engolido.

Complementado na perfeiçã com a intensidade dos foie gras.

Fascinado por plantas e legumes, o jovem chef mantém um amplo jardim de ervas aromáticas e flores e uma estufa em volta do restaurante. Outro prato emblemático é o das "verduras assadas e cruas, brotos e folhas silvestres e cultivadas, com manteiga de avelãs e pétalas e sementes, em caldo de emmental".

Sublimes o Salmonete e uns sedosos ovos mexidos com trufas.

Mas as "piéce de resistance" são as "bochechas e tripas de bacalhau guisadas"

e o "ombro de borrego estufado em molho caramelizado de lactose e ragu de beterrabas".

Nas sobremesas destaque para a "torrija", rabanada caramelizda com creme gelado de leite e raspas de limão confitado.

Etxebarri
Este não tem estrelas mas merece a peregrinação. Etxebarri significa Casa Nova, e fica no meio de nada na pequena aldeia de Axpe, num cenário belíssimo, as casas de pedra enquadradas pela montanha.

O chef Victor Arguinzoniz tem a paixão pelos grelhados, o que se reflecte na sua cozinha.

Podemos começar com uma empanada de bacalao, grelhada, tenra, suculenta.

Segue-se o Txorizo a cavalo de um delicioso pão torrado.

E depois umas grelhadas Gambas Palamos, pescadas em Girona, soberbas, de comer as cascas.

E que dizer das ostras, grelhadas como no, mantendo lá toda a untuosidade e sabor a mar.

Depois algo de original, Pepinos de mar, equinoderme da família dos ouriços e estrelas do mar, grelhados, estaladiços, lembrando a lula na textura, mas muito mais saborosos. Vinha acompanhado de salada de favitas verdes, azeite e ervas do jardim.

Prosseguimos com Kokotxas (aqui de bacalhau fresco), conhecidas dos clientes do São Gião, porção nobre do peixe, grelhada suavemente para manter a textura gelatinosa, proporcionando uma explosão de sabores e aromas à primeira dentada. As ervilhas complementavam na perfeição este petisco de chorar por mais.

Provaram-se ainda uns boquerones fresquíssimos, a saber a mar.

Continuou-se com Salmonete sobre salada de vegetais grelhados, cada dentada melhor que a precedente.

Fechou-se o peixe com Bacalá al Pil Pil, gadídeo no ponto ideal de sal e cozedura, desfazendo-se em untuosas lascas, soberbo.

Terminou-se com Carne da Galiza grelhada, simples na preparação, fabulosa pela qualidade da tenra e saborosa, grelhada mal passada na perfeição.

A fechar uma simples tarte de morango com um original e doce sorvete de cogumelo.

Um Albariño e um Priorat formam o complemento ideal de uma refeição perfeita num restaurante onde quase tudo é "caseiro". Das verduras do jardim às brasas da madeira dos carvalhos circundantes, preparadas em fornos desenhados especialmente pelo chef, que decididamente sabe brincar com o fogo.


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