Wednesday, October 25, 2006

Jazzteca do Luminoso


Um pequeno contributo para os tais prazeres do diabo...

Sugerir títulos para fazer parte de uma Jazzteca é de um grande atrevimento vindo de alguém que ouve Jazz sem dar importância aos tratados que por aí andam sentenciando estrelas a uns e a outros discos.

Iniciei-me nesta aventura do Jazz relativamente cedo quando encontrei entre os CDs do meu pai (um melómano com maior zelo pela música clássica) uma colectânea de alguns dos mais memoráveis concertos realizados em França na década de 60, década de Ouro do Jazz. Incluia, fundamentalmente, nomes do chamado Jazz Mainstream mas também do Jazz mais rebelde, mais vanguardista. Ouvir Jazz pela primeira vez com John Coltrane a tocar Naima ou Bill Evans a tocar Waltz for Debby é começar pela porta grande.

Não sou um entendido de Jazz. Nem pretendo ser. Sinto um prazer sincero em ouvir Jazz. A sós ou acompanhado. A ler ou a meditar.

Queria partilhar o meu Jazz.O primeiro disco é, na verdade, um conjunto de discos, uma colectânea de cinco álbuns extraordinários que foram “despachados” num ano por exigência de um contrato.

Passo a explicar: em 1955, Miles Davis acabara de assinar um contrato com a editora Columbia. Formou o Miles Davis Quintet dando início à sua colaboração com John Coltrane. Faltava, no entanto, gravar cinco albuns para a Prestige.

“The Legendary Prestige Quintet Sessions” constituem os tais cinco albums em falta: “The New Miles Davis Quintet”, “Workin”, “Steamin”, “Relaxin” e “Cookin”. Estes cinco albuns foram gravados enquanto se preparava simultaneamente outra obra-prima desta vez para a Columbia: “Round Midnight”.

O quintento é constituído para além do próprio Miles Davis no trompete e John Coltrane no saxofone tenor, por Red Garland no piano, Paul Chambers no Contrabaixo e Philly Joe Jones na bateria. A sonoridade brilhante cabe ao famoso engenheiro de som Rudy Van Gelder.

A escolha deste primeiro conjunto de registos tem uma razão de ser. Para além, da sua qualidade óbvia, estes albuns constituem um momento chave porque definem, na sua transição do BeBop e Cool Jazz para o HardBop, a sonoridade que melhor indentifica o Jazz.

A €49,95 na FNAC (Caixa de 4CD).

Boa audição.

Luminoso